Por Michael Luce
Adoro ouvir sobre grupos em ascensão que estão fazendo coisas legais com a música, então quando ouvi falar do ‘supergroup’ LUCY, fiquei imediatamente intrigado. O grupo se formou como parte do programa de competição de talentos Superband em 2019 e tem se dedicado a fazer as suas próprias coisas nos últimos anos. Mas não se engane: esses caras não estão fazendo música apenas para um cantinho do mundo musical. As músicas deles foram usadas em vários K-dramas, com várias faixas subindo nas paradas do pop coreano. LUCY é realmente bom, e é só uma questão de tempo até que eles explodam e alcancem a consciência do grande público.
LUCY soam um pouco como os colegas roqueiros coreanos THORNAPPLE, mas como se tentassem seguir os passos do início de BOL4 ou IU. Há muitos trejeitos de rock apaixonados e sinceros aqui, porém com sensibilidades pop mais acessíveis. Vi algumas fontes dizendo que esse estilo de ‘supergroup’ é o som antecipado para o K-pop da quinta geração, e depois de ouvir o mais novo EP deles, Fever, dá para entender por que.
Os primeiros cinco segundos de “Hot!” deixam o ouvinte numa falsa sensação de conforto e calma antes da próxima linha disparar um arpão na sua atenção e não largar mais. Soltei um “oh wow!” audível na primeira vez que ouvi essa faixa porque há tanta coisa acontecendo aqui, e tudo funciona muito bem. Incorporando desde hyperpop até anthem rock, essa música é tão grande quanto se pode chegar sem explodir. O ápice vem mais ou menos na metade, quando os vocais dão uma pausa e um arpejo de violino cintila e acelera a faixa para múltiplas mudanças de tonalidade consecutivas.
Ah, sim, esqueci de mencionar: o frontman do LUCY toca violino. Posso falar apenas por mim aqui, mas honestamente nunca fiquei muito impressionado com violino solo em música pop ou rock. Claro, bandas de Coldplay a BLACKPINK usaram orquestras com ótimo efeito, mas ver um único instrumento de cordas no lineup muitas vezes me deixa com o pé atrás por medo de algo constrangedor. Ao contrário do comum, o LUCY usa o instrumento como uma arma, cortando suas músicas e gritando na frente da mixagem em vez de ficar passivamente fornecendo harmonias de apoio. Essa presença eleva o violino de um irmãozinho indesejado a uma estrela épica do rock.
A segunda faixa, “Haze”, é um pouco mais próxima do que se espera de uma balada padrão, mas em vez de sutileza emocional e intimidade, LUCY opta por grandiosidade e expressão; as emoções são as mesmas, mas a escala é completamente diferente. Percorrer as diferentes seções de “Haze” faz com que ela pareça uma faixa de sete a dez minutos em vez de uma de menos de cinco. (Juro, mesmo sendo este lançamento composto por apenas quatro faixas, ele carrega o peso emocional de sete.)
Adoro a presença com que a faixa final “So What” se abre. Há uma enorme confiança nesses riffs, como se esses caras soubessem que são os protagonistas da própria história. A faixa tem as trocas de responsabilidade vocal mais perceptíveis, e isso ajuda a unificar o quarteto em uma massa sonora sólida. Assim como “Haze”, a música passa por sombra após sombra, o que a faz soar ainda maior.
É difícil achar falhas em Fever, embora eu deseje que a produção tivesse a mesma profundidade da escrita e dos arranjos. As músicas têm impacto, mas esses golpes carecem de camadas ou profundidade sonora. O EP está mixado como pop, e eu gostaria que tivesse sido mixado como rock. É uma diferença sutil, mas acho que tornaria os agudos muito mais grandiosos.
No geral, o que mais se destaca para mim sobre o LUCY em Fever é que eles demonstram a capacidade de botar tudo, menos a pia da cozinha, nesse bibimbap de tigela de pedra que é o EP, mas se seguram. As músicas são supercarregadas, claro, mas não sobrecarregadas. Moderação é sempre uma preocupação com um grupo que pode fazer tanto, e embora o LUCY flerte com ultrapassar a linha, eles nunca o fazem.