GIRLS WILL BE GIRLS: COMO ITZY RECONQUISTOU A NARRATIVA
Por Hasan Beyaz
Por um tempo, parecia que o mundo já havia começado a tratar ITZY como uma história encerrada. Depois que o grupo feminino coreano de cinco integrantes estreou com uma sequência explosiva de singles de sucesso — “DALLA DALLA,” “WANNABE,” “LOCO” — ITZY conquistou a reputação de pioneiras confiantes e inabaláveis. Mas, em 2022, a reação negativa começou a surgir com “Sneakers”, o single principal do seu Checkmate mini-álbum. “Sneakers” acabou sendo um dos seus maiores hits até então, mas isso não importou.
É fácil esquecer como o ímpeto no K-pop pode ser volátil. Uma faixa-título divisiva pode fraturar um fandom; um conceito “fora da marca” pode desencadear meses, até anos, de postagens pessimistas. Mas ITZY não se rendeu. Em vez disso, elas começaram a reconstruir – e isso faz parte do poder delas.
Na fase de pós-produção do sexto mini-álbum Cheshire, as integrantes – YEJI, LIA, RYUJIN, CHAERYEONG e YUNA – e sua agência começaram a realizar entrevistas individuais que moldariam diretamente o próximo projeto. O resultado foi Kill My Doubt, de 2023: um mini-álbum cuidadosamente curado sobre medo, crescimento e autoconfiança, uma admissão de vulnerabilidade.
Desde então, ITZY ressurgiu com algo mais profundo do que apenas boas músicas pop. Elas construíram uma nova linguagem criativa: conceitual, coesa e orgulhosamente autoassinada. Em Born to Be, lançado em janeiro de 2024, elas se apresentaram como guerreiras: cada integrante assumindo sua própria faixa solo e conceito visual para refletir sua identidade individual. “Our new album is so powerful, powerful to the extent that you'll be able to taste the smell of the flame burning hot,” YEJI disse à imprensa na época — uma declaração hiperbólica, talvez, mas que capturou a energia combativa do grupo. Mais tarde naquele ano, após a turnê mundial de trinta e duas datas Born to Be World Tour, ITZY lançou GOLD, um trabalho tematicamente rico enraizado na ideia de que “o nosso mundo ainda é diferente.” Onde eras anteriores poderiam ter se apoiado na validação externa, esses novos projetos colocaram ITZY como artistas firmemente no controle do seu próprio centro criativo.
Agora, o décimo mini-álbum delas, Girls Will Be Girls, completa o arco. Só o trailer já gerou grande burburinho online — um curta no estilo art house repleto de imagens surreais, incluindo a transformação simbólica de RYUJIN em uma boneca inflável. Os fãs imediatamente o saudaram como um dos teasers de K-pop mais ambiciosos visualmente dos últimos tempos, mas por trás da estilização há uma história sobre a infância feminina, amizade e sobrevivência emocional.
A faixa-título vira a frase desdenhosa “girls will be girls” em um hino de conexão em vez de conformidade, ecoando a mensagem mais ampla do projeto de que vulnerabilidade e resiliência não são opostos, mas verdades que coexistem. Esse espírito continua em “Kiss & Tell,” uma das faixas menos óbvias mais fortes de ITZY até hoje, com a atitude desafiadora no centro: “I don’t talk / Let ’em talk,” canta CHAERYEONG, como um revirar de olhos despreocupado que parece merecido em vez de forçado.
Nada disso quer dizer que ITZY tenha escapado completamente do peso das expectativas anteriores. O ecossistema do K-pop não facilita tanto a reinvenção, pelo menos para grupos femininos que são esperados a ser tudo, ao mesmo tempo. Então, considere Girls Will Be Girls um lembrete: ITZY ainda está aqui, ainda diferentes — e ainda construindo uma história que é só delas. Depois de anos de barulho, escrutínio e dúvidas, Girls Will Be Girls pode ser o movimento mais ousado delas até agora.