Oito Anos, Nenhuma Renda

A Realidade Financeira por Trás do Estrelato do K-pop

Por Chyenne Tatum

Em 17 de junho, a integrante do fromis_9, Jiwon, revelou que não teve renda durante oito anos de carreira como idol de K-pop desde sua estreia em 2018. A notícia surgiu durante um programa do YouTube chamado "A Job Where You Can Check an Idol's Salary", no qual Jiwon assumiu por um dia um trabalho de meio período como atendente de banco. Depois de descobrir quanto seu mentor no programa ganha por ano, ela ficou impressionada com o contraste — sua empresa só começou a pagar há dois anos, apesar de ela já estar em seu oitavo ano com o fromis_9. "Até dois anos atrás, eu não tinha dinheiro nenhum", disse Jiwon. "Não tive renda por oito anos; eu era como uma mendiga falida. Agora finalmente estou conseguindo economizar de forma constante." Embora a revelação de Jiwon seja marcante, não se trata de uma anomalia. Disputas sobre pagamento de idols surgem todos os anos; mudam os nomes e os selos, mas a dinâmica de fundo permanece a mesma.

Estrear como idol já é estressante o suficiente, tanto física quanto mentalmente, mas o peso financeiro disso tudo torna o caminho até o estrelato do K-pop uma escolha de carreira incerta. Não é segredo que, depois da estreia dos grupos, muitas vezes se espera que eles paguem o que é conhecido como 'trainee debt' aos seus selos, referente ao dinheiro investido no grupo — seja em tempo de estúdio, produção de videoclipe, apresentações ao vivo e muito mais. Segundo o The Korea Herald, especialistas do setor sugerem que estrear um novo grupo pode custar entre 1 bilhão de won (US$ 653.300) e 2 bilhões de won para empresas menores, enquanto grandes agências de entretenimento podem gastar entre 5 bilhões e 10 bilhões de won ou mais. Essa dívida muitas vezes recai sobre o artista, não sobre o selo. Para muitos idols, o sonho que perseguem vem acompanhado de uma conta — e, até que ela seja quitada, a renda não entra. No caso de Jiwon, isso levou oito anos.

Com o fromis_9 se aproximando de uma década na indústria, o cronograma torna a situação mais difícil de ignorar. Quatro das nove integrantes do grupo saíram — uma em 2022, três em 2025 — e, embora a direção do selo e as ambições individuais sempre sejam fatores, a instabilidade financeira tende a ser o mais निर्णante. Também importa o fato de o fromis_9 ocupar a faixa intermediária da indústria: visível o bastante para manter uma base de fãs, mas não proeminente o suficiente para gerar o tipo de receita que torne a permanência vantajosa.

"As pessoas veem as histórias de sucesso, mas elas são a exceção, não a regra", disse um representante de agência de K-pop ao The Korea Herald. "A maioria dos grupos nunca chega ao ponto em que os membros possam depender apenas das atividades como idol para ter uma renda estável, então não é incomum que comecem a buscar outras opções de carreira.”

Ainda assim, alguns dos idols mais proeminentes do K-pop também relataram problemas financeiros em suas respectivas empresas. Em fevereiro, Taemin, do SHINee, rescindiu seu contrato com a BPM Entertainment enquanto circulavam relatos sobre a instabilidade financeira da gravadora. Pouco depois, alegou-se que o cantor saiu devido a violações contratuais — com a BPM assinando um contrato de exclusividade com uma empresa sem seu consentimento — e a salários não pagos de um bilhão de won em acordo financeiro. Por isso, Taemin teria tirado do próprio bolso para pagar os salários de sua equipe nesse período antes de assinar oficialmente com a Galaxy Corporation em março.

O próprio histórico da SM nessa área também não é simples. Desde 2023, EXO-CBX — a subunit formada por Chen, Baekhyun e Xiumin — está em uma disputa judicial contínua com a empresa sobre transparência nos ganhos, termos contratuais, royalties não pagos e taxas de distribuição musical. A SM entrou com uma ação contra o trio por não pagar 10% da receita de suas atividades individuais; o EXO-CBX respondeu com uma contraprocessão, argumentando que a empresa não cumpriu a taxa de distribuição prometida de 5,5% e que o acordo de 10% era, por si só, injusto. A disputa relativa ao acordo de quitação soma aproximadamente 600 milhões de KRW. As consequências foram significativas o suficiente para excluir Chen, Baekhyun e Xiumin do comeback do EXO com REVERXE no início deste ano.

Além disso, nove dos dez membros do THE BOYZ também levantaram preocupações sobre discrepâncias financeiras neste ano. Em 10 de fevereiro, o grupo entrou com um pedido de liminar provisória para suspender suas atividades com a One Hundred Label — coincidentemente, uma subsidiária da BPM Entertainment. A disputa se tornou pública em 19 de março, com o TBZ citando acordos não pagos desde julho de 2025, problemas de transparência contratual e uma subsequente liminar judicial no fim de abril. Eles também apresentaram uma denúncia formal contra o CEO Cha Ga-won por suposto desvio de recursos, em meio a relatos de que o selo enfrentava sérias dificuldades financeiras. Embora a One Hundred tenha negado as acusações, o tribunal decidiu oficialmente a favor do TBZ em 24 de abril, concedendo ao grupo a liminar provisória para suspender seus contratos exclusivos com o selo.

A revelação de Jiwon não é um caso isolado — é um dado dentro de um padrão que se repete todos os anos, em selos de todos os tamanhos. O problema estrutural não são apenas agências fora da linha ou maus agentes; é um sistema que foi criado para extrair valor dos artistas antes que eles estejam em posição de reagir. Os casos estão se tornando mais públicos, os desafios legais mais organizados e os artistas mais dispostos a se manifestar oficialmente. Se isso vai se traduzir em mudança sistêmica é outra questão — mas a capacidade da indústria de manter tudo isso em silêncio está claramente diminuindo.

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