Por Hasan Beyaz
Fotos por Harry Sung
BACK TO REALITY soa como o momento em que a banda K-indie PRYVT para de fugir do ritmo do último ano e finalmente o encara.
O segundo álbum de estúdio da dupla chega menos de doze meses após a estreia, mas a distância emocional entre os dois discos é enorme. Onde &SCENE se desenrolava como uma série de TV – cada música um pequeno episódio – BACK TO REALITY volta tudo para dentro. Chuva, luzes do palco, o silêncio depois de um show, o constrangimento dos primeiros encontros, o peso de sentir falta de alguém: todos se tornam marcadores recorrentes em um projeto moldado pela aceleração e pelo choque que vem depois.
Depois de um ano frenético abrindo para slchld e wave to earth, a ideia de “voltar pra casa” e como isso se parece está no coração do disco
HANUEL fala abertamente sobre a estranha mudança que acontece quando você sai do palco e volta para si mesmo — não a versão performática, mas aquela que ainda tem dúvidas, responsabilidades familiares, hábitos antigos e medos ainda mais antigos. BACK TO REALITY vive nessa cabeça. Músicas como “HOW WAS YOUR DAY?” e “WHILE IT RAINS” se aprofundam na saudade de casa e na lenta percepção de que família, padrões da infância e o lugar onde você cresceu não deixam de existir só porque sua carreira acelera. Outras, como “NEXT TO ME, AGAIN” e “ANGEL”, circulam pelos ciclos em que você cai mesmo quando sabe o que deveria fazer. O trecho final – “WON’T YOU”, “WITHER AND DIE”, “BACK TO REALITY”, “HEAVEN” – é o mais revelador, traçando a dúvida, o luto e o medo de perder as pessoas que te formaram.
Sonoramente, o álbum reflete esse conflito interno. JT e HANUEL constroem músicas que soam prontas para o palco — flashes ousados com inclinação rock sobre atmosféricos etéreos —, mas cada faixa mantém seu peso emocional quando reduzida. Se você quer um disco que tenha cara de noites tardias, longas viagens e crescer rápido demais, o PRYVT fez isso. BACK TO REALITY consolida a banda como um dos novos atos de indie mais fluentes emocionalmente, com talento para capturar os momentos que você não diz em voz alta e transformá-los em um álbum que acerta o estômago.
Continue lendo para uma visão crua e aprofundada de BACK TO REALITY em sua totalidade, contada pelo PRYVT.
BACK TO REALITY
HANUEL O álbum é sobre experiências que vivi no ano passado na turnê e sobre o quão rápido, felizmente, nossa banda vem crescendo. Entre esses momentos, existe eu como artista e eu só como amigo, como filho, como irmão. Nessa perspectiva, acho que BACK TO REALITY é meio que eu voltando para casa depois de estar na estrada ou fazendo shows, fazendo música. Pode ser físico, mas também mental. Muitas vezes, no palco eu me sinto quase outra pessoa. Mas quando eu desço do palco, é mais como se eu voltasse a ser eu mesmo. No ano passado — especialmente abrindo para slchld e wave to earth — foi uma experiência muito reveladora para mim. Acho que a partir daí o título meio que surgiu pra mim: BACK TO REALITY. Esse é basicamente o tema.
Track 1: “PALETTE”
HANUEL Queríamos começar o álbum um pouco mais claro, porque acho que a segunda metade do disco é bem mais sombria e triste de certa forma, então queríamos abrir com algo mais luminoso. E com “PALETTE”, eu queria escrever sobre a primeira vez de conhecer alguém ou fazer algo — aquela sensação inicial que eu tenho. Por exemplo, digamos que eu conheci alguém de quem gosto muito pela primeira vez; aquela sensação. Ou subir no palco pela primeira vez; aquela sensação. E sim, a música é bem direta, mas acho que fica à interpretação do ouvinte e de como ele quer escutar com as letras que escrevi. Mas, de modo geral, fala sobre o primeiro encontro.
JT Na produção, “PALETTE” ficou praticamente pronta em um único dia.
Track 2: “NOON”
HANUEL Crescendo, sempre me interessei muito por baladas coreanas — dos anos 80, 90 ou início dos anos 2000. A língua coreana tem uma maneira específica de expressar emoções, então fiquei muito intrigado. No ano passado li muitos livros de poesia coreana e vários livros coreanos em geral. Isso me inspirou. “Noon” quer dizer “eu” em coreano, então meio que segue “PALETTE”, onde conheço alguém pela primeira vez. Como sou bem introvertido, não consigo realmente olhar alguém nos olhos quando falo com essa pessoa pela primeira vez. É sobre eu querer olhar nos olhos dela, conversar e conhecê-la. É disso que a música trata.
O motivo de ter escrito em coreano foi porque eu queria me desafiar pra ver o que eu conseguiria fazer na escrita. Foi assim que “NOON” surgiu. Comecei em inglês, mas percebi que não soava igual, pelo menos pra mim. Acho que pra quem não fala coreano isso pode não fazer sentido, mas pra mim, escrever totalmente em coreano pareceu melhor.
JT Nesse também conseguimos terminar tudo num dia. Foi bem rápido.
Track 3: “HOW WAS YOUR DAY?”
HANUEL Escrevi essa quando estávamos na estrada e eu estava sentindo um pouco de saudade de casa. Eu via meus amigos e minha família, mas ficava pensando: eventualmente vou ter que sair de casa, começar minha própria vida e morar sozinho. Pensava em todas as vezes em que houve conflitos entre meus pais, meus irmãos, meus amigos. Sempre nos reconciliamos, mas eu me imaginei daqui a 10 ou 20 anos olhando pra trás e me perguntando: tudo aquilo que aconteceu foi realmente necessário? As conversas que passaram.
Basicamente é eu me perguntando — e perguntando a eles — “como você tem passado?”, porque eu não converso com eles há um tempo. É uma forma de compensar os momentos em que eu errei, ou eles erraram, ou brigamos, ou seja lá o que foi. E talvez seja algo coreano, mas na Coreia, quando você pergunta a alguém “comeu?” ou “como foi seu dia?” isso carrega um significado mais profundo. Acho que se eu tivesse chamado a música de algo como “o que você comeu?” teria soado diferente, por isso mantive “HOW WAS YOUR DAY?”.
Em termos de letra, acho que está entre minhas três favoritas no álbum. Bate forte pra mim e toda vez que eu escuto ou canto, me traz exatamente o que eu imaginava.
Na produção, começou originalmente só com guitarra e voz, bem lenta. Então mandei pra Justin e ele mudou tudo. O que você ouve hoje é basicamente o que ele fez. Foi chocante, porque na minha cabeça era sempre uma balada lenta. Mas quando ele mandou o demo, eu pensei: mano, é essa. É essa aqui.
JT É verdade. O que ouvi primeiro era uma música bonita, mas pensei: e se a gente acelerasse — e essa é a versão que temos agora.
HANUEL Foi bem legal.
JT Esse tipo de dinâmica acontece com frequência pra gente. A maneira como as músicas surgem é: o Sam começava uma ideia e me mandava. Eu trabalhava nela, mandava de volta e aí a gente se juntava pra terminar, ou ficávamos no estúdio juntos e fazíamos a música. Essas são as principais formas.
Track 4: “MAYBE I’M RIGHT”
HANUEL Tenho dois sobrinhos que acho que têm três e cinco anos. Eu estava brincando com eles depois da igreja, e você sabe como crianças mentem, mas dá pra perceber que estão mentindo, né? Daí veio a ideia. Fiquei pensando, por que às vezes eu também mentiria? Talvez seja pelo bem de outra pessoa. Aí comecei a me questionar, e isso é basicamente a música.
Estou falando de como sou indeciso às vezes, o que me leva a não ser totalmente honesto em certas situações. E sim, é uma música bem direta. Quando escrevi, só conseguia imaginar — meus sobrinhos brigando, aquelas pequenas… não brigas exatamente, mas o jeito que eles falavam e tal. Isso me lembrou de quando eu era mais novo. Mesmo hoje em dia, meu eu mais jovem ainda está dentro de mim. Cresci, mas ele ainda está lá.
E o título, “MAYBE I’M RIGHT”, meio que mostra essa indecisão. Não estou dizendo que estou certo, sabe? Mas “talvez”… acho que essa palavra representa muito meu pensamento.
Track 5: “CROSS MY HEART”
HANUEL Eu estava assistindo ao filme da Pixar Up. Em uma cena, eles são jovens e estão em uma casa ou casa na árvore abandonada, eu acho. Um dos personagens faz o tipo “cruza o coração e espero morrer” pra guardar um segredo. Foi daí que tirei a inspiração, por isso se chama “CROSS MY HEART”.
Acho que aquela sensação de primeiro amor acontece uma vez na vida. E o filme representou isso bem. Acho que essa é provavelmente a música mais relacionável, de modo geral, entre todas. Não tem muito mais além de ser baseada no filme Up.
JT Na produção, acho que essa ficou bem fiel ao demo original que recebemos. Talvez tenhamos encurtado um pouco, mas fora isso, já estava praticamente lá.
Track 6: “WHILE IT RAINS”
HANUEL Em Vancouver chove muito. Acho que a maioria das estações — fora o verão e talvez um pouco da primavera — tipo outono e inverno é só chuva. Eu estava olhando pela janela e estava chovendo bastante, e pensei como isso soaria, porque chuva, por mais chata que seja, às vezes é bem calmante só de olhar ou ouvir. Visualmente era bem legal ver aquilo acontecendo.
Mas escrevi sobre como, ao envelhecer, sinto que pessoalmente quero ficar em Vancouver o máximo que puder. Sei que isso significa que a chuva sempre estará lá, mas… envelhecer nesse ambiente e com as pessoas que amo, tornar isso sentimental pra eles e com eles. Por exemplo, pode ser envelhecer com meu cachorro e só, você sabe, ver a chuva juntos, envelhecer. Tenho certeza de que cachorros não ficam grisalhos, mas sabe — envelhecer até ficarmos com cabelos brancos, mantendo-os por perto. É esse tipo de vibe.
Quis escrever uma segunda estrofe, mas quando fiz não ficou igual. Então decidimos deixar curto e mais impactante no som, porque acho que é uma boa transição para a segunda metade do álbum através dessa música. Acho que é uma faixa que quero revisitar daqui a alguns anos — e talvez eu esteja olhando a chuva ou ambientes parecidos de novo. É sobre isso.
Track 7: “NEXT TO ME, AGAIN”
HANUEL Provavelmente é a música mais animada e, de certa forma, a mais “hype” do álbum. É muito energética e acho que é a mais baseada no rock, na minha opinião. A música fala basicamente de estar preso no ciclo — ficando nele. Tive a inspiração de um relacionamento tóxico que vi e ouvi de amigos. Mas acho que pode se aplicar a muitas coisas, não só relacionamento. É quando você está tão acostumado com algo ou alguém, por mais ruim que seja, você continua voltando porque é tudo o que conhece. E por mais que seja péssimo, você se encontra naquela situação repetidamente. Foi sobre isso que quis escrever.
E acho que visualmente nossa equipe — nossa equipe criativa — conseguiu isso muito bem. É, eu acho, a música estranha do álbum, porque é diferente de todas as outras, o que eu gostei muito.
Um pouco de contexto: eu estava na Coreia, no interior, sozinho, tocando violão. Comecei a brincar e acho que levei uns 30 minutos pra escrever tudo. E por causa dos fusos, mandei pra JT, mas ele não estava acordado. Fui dormir e quando acordei ele disse “mano, isso é fogo.” E ele produziu aquilo em um dia. Foi bem legal.
Acho que, pelo menos pra mim, quando escrevo algo e sei tipo “isso vai ser bom,” fico tão empolgado que quero ouvir logo. Aí quero ter isso o mais rápido possível.
Teve muitas músicas assim no álbum. Eu mandava um demo e no dia seguinte ele já tinha uma música totalmente produzida. E acho que isso é bem legal, porque não acho que seja tão comum na indústria. Mas o jeito como trabalhamos é muito, muito eficiente às vezes.
Track 8: “ANGEL”
HANUEL Na verdade escrevi essa pro primeiro álbum. Mas por algum motivo pensei, não acho que essa música seja boa. No ano passado eu disse pro JT “mano, acho que isso não deveria entrar no álbum. Não gosto muito dessa música.” Aí fiquei com ela e, depois, pensei: na verdade… isso não é ruim. Então decidimos colocá-la neste álbum. E acho que ela se encaixa muito bem aqui. É uma música forte, e a mensagem conversa com “NEXT TO ME AGAIN”.
No refrão eu escrevo: “we’re getting closer even though we’re not supposed to, even though it’s wrong.” É basicamente sobre aquele ciclo repetitivo em que você está preso. Mas aqui é mais aprofundado sobre algo ou alguém específico pra mim nessa música. E “angel” é só uma representação de, você sabe, como rezamos. Ou, de modo geral, as pessoas rezam por muitas coisas. Pra mim, foi um momento de desespero em que eu buscava o sentido de por que estou nesta vida. Então nesse processo repetitivo eu tentava descobrir o que é. Era eu meio que rezando e tentando achar respostas sobre mim e sobre o que devo fazer, por isso se chama “ANGEL”. Mas a música é sobre aquela coisa ou pessoa específica que me deixa preso nessa situação.
Acho que casa bem com “NEXT TO ME AGAIN” e depois com “WON’T YOU”, porque a produção é tão boa. Pra mim, não encaixou na primeira metade do álbum porque a primeira parte é mais clara, mais enérgica. A segunda metade é mais calma e em ritmo mais lento. Então ficou melhor ali.
Track 9: “WON’T YOU”
HANUEL Nessa música eu meio que falo na minha cabeça novamente. Acho que esse é um tema recorrente, mas acho que eu estava realmente passando por um momento e questionando muitas coisas.
Começo a música com “won’t you come again for the day when the rain is falling down, we’re running around.” Acho que quando criança eu não pensava tanto como penso agora. Agora tem muita coisa que preciso considerar e decidir, e sinto falta daquela mentalidade infantil — só poder fazer o que quiser. Mas de novo, era como se existisse algo ou alguém com quem eu me sentia seguro por um tempo.
E então eu digo, “I trust you with me for keeping me sane, and to not waste my day just waiting here alone for another.” Acho que fiquei meio preguiçoso quando passei por muita coisa e não me senti bem. Precisava de alguém pra me tirar dessa situação. Pode ser alguém ou algo… pode ser qualquer coisa. Pra mim naquele momento era fazer música, e isso me ajudou muito.
Eu estava expressando de forma bem direta como me sentia na época, que foi no ano passado — acho que logo depois que nossa música “if it’s not you” fez muito sucesso no TikTok e viralizou. De certa forma, eu me senti confuso porque me questionava. Tipo, estou pronto pra isso? Por que isso está acontecendo de repente? Esse tipo de coisa.
Acho que liricamente a música também é bem relacionável. No refrão eu digo “let me go out of the ordinary,” que é, acho, quando nossas músicas começaram a ir bem. Foi aí que perdi a perspectiva das coisas do dia a dia, e comecei a fazer mais coisa relacionada à música, o que sou muito grato, mas a transição foi muito rápida. Então esse período é basicamente sobre o que escrevi em “WON’T YOU”.
De certa forma, é um pedido de ajuda a alguém ou algo pra me guiar por isso.
JT A produção correu bem. Acho que só demorou um pouco pra finalizar. Fizemos a maior parte da batida e da produção em uma sessão, mas fomos até tipo 5 da manhã, lembro. Fora isso, ficou bem bom.
Track 10: “WITHER AND DIE”
HANUEL Isso meio que segue “WON’T YOU”. A ideia veio quando fizemos nosso primeiro show como atração principal em Vancouver no ano passado. Eu tinha muitas flores e as pendurei de cabeça pra baixo pra secar, tipo rosas. Foi basicamente daí que saiu o título “WITHER AND DIE”, porque era isso que estava acontecendo com as flores.
Mas a música em si é sobre mim — só como pessoa. Tudo sobre como eu era indeciso e como ia e vinha com várias coisas. Tipo, eu tomava uma decisão e depois pensava, ah, talvez não esteja certo. O que eu faço? Todo esse tipo de coisa. Nas letras tento enfatizar isso e, de certa forma, ficar irritado comigo por ser assim.
Por isso o começo da música já define esse clima. Eu digo, “just have it your way, I’m losing my faith in us, you’re so scared of change,” e “just say what you want to say, I’m getting tired of these games.” É eu falando comigo mesmo na cabeça. Tipo, você diz que quer ser artista, quer fazer música, mas não está lá. Você não está fazendo o suficiente. Essas dúvidas que sempre tenho — é sobre isso que a música fala.
E acho que quando estávamos abrindo nas turnês, foi quando senti isso mais ainda. Porque eu via esses artistas incríveis se apresentando, e os fãs indo ver eles, e foi uma ótima experiência de aprendizado pra gente. Aí, quando voltamos, eu fiquei pensando: o que posso fazer pra chegar lá? O que podemos fazer pra conseguir isso? E dentro desses pensamentos eu também tinha muitas dúvidas comigo mesmo.
Percebi que, por mais introvertido que eu seja, conhecer gente nova é sempre divertido. E não gosto muito de dizer adeus ou de não ver alguém por muito tempo. Ficar na estrada com pessoas específicas por tipo um mês direto — definitivamente ficamos mais próximos, e foi muito divertido. Então essa parada súbita e voltar pra casa foi meio difícil, eu acho. A transição.
Mas é só uma música sobre mim e sobre como eu estava pensando durante tudo isso. Acho que é bem direta se eu ler as letras agora. E acho que me representa bastante também.
Track 11: “BACK TO REALITY”
HANUEL A gente devia falar da produção primeiro. Fizemos uma viagem de um dia a Seattle com alguns amigos: eu, JT e mais uns outros. Estávamos dirigindo de volta e só conversando sobre músicas e tal, e surgiu a ideia. Quando voltamos pro meu estúdio, literalmente começamos a escrever naquele dia. Basicamente fizemos a primeira estrofe, o primeiro refrão e um pouco da produção.
A música, no começo, era sobre sentir falta de alguém. Aí conversei com um amigo e ele me deu a ideia de pensar quando alguém na sua vida não está mais fisicamente com você — talvez tenha falecido ou se mudado pra longe —, você sente muita falta, né? Não tem como saber como estão e tal. Quis enfatizar isso.
E acho que quanto mais eu envelhecia, percebia como meus pais também estavam ficando mais velhos. Isso me atingiu: não vou estar com eles pra sempre. E por mais que isso seja doloroso, é uma realidade que tenho que aceitar. Então eu imaginava como seria sem eles aqui comigo, por isso começo a música com: “what if I move on, carrying your secrets, would you be happier for me, smiling back at me?” Acredito que eu não conseguiria sorrir ou ficar feliz quando isso acontecesse, mas sei que, com certeza, eles gostariam que eu seguisse em frente, fazendo o meu melhor, tentando ser o mais brilhante possível.
E então as pequenas coisas que eu nunca notei começariam a me atingir. Quanto mais eu pensava, percebia que haveria um grande período em que tudo isso me abalaria — tantas coisas e pensamentos surgiriam. Por isso disse “the silence keeps growing longer”, e isso é eu refletindo sobre a situação. E sinto que em muitas situações você gostaria de ter dito algo a mais, então escrevi sobre isso também.
Por serem uma parte tão grande da minha vida, um pedaço deles viveria comigo enquanto eu viver. Acho que as estrofes são meu pensamento, e o pré-refrão pro refrão é eu aceitando e dizendo a eles, tipo, vocês podem seguir e eu vou ficar bem, tentando viver minha vida a partir de agora.
No refrão digo “she’s calling, my love is…”, mas não estou falando de uma garota ou de uma situação amorosa. “She” é só uma figura geral. Nessa situação pode significar meus pais — tipo, talvez eu esteja sonhando com eles e não queira ir embora porque sinto falta e tal.
É um tema bem pesado quando escrevi, mas acho que muita gente pode interpretar de forma diferente dependendo da situação que esteja vivendo. Isso é basicamente sobre o que a música trata.
Track 12: “HEAVEN”
HANUEL “HEAVEN” é bem direta. Basicamente estou dizendo que não quero estar aqui sem eles, e onde eles estão é, tipo, o meu “heaven” — meu paraíso, entre aspas. E, tipo, quando me sinto melhor, quando sou o melhor, quando sou eu mesmo, eu acho. É eu meio que chorando, acho, de uma forma, e tentando falar com eles mesmo que não estejam aqui.
Crescendo, na minha família e entre amigos, a gente brincava muito uns com os outros, zoava. Às vezes machucava, mas olhando pra trás era tudo amor, porque essa é uma forma de expressar carinho. Então nessa música tem duas linhas que eu gosto muito: “stuck with your melodies” e “it’s like they’re making fun of me.” Acho que como eu escrevo músicas e faço música, quando digo “stuck with your melodies,” é tipo eu pegar inspiração de várias coisas que viram canções, que viram melodias e tal. E “it’s like they’re making fun of me” é meus amigos ou minha família sempre zoando comigo por qualquer motivo — é uma piada e tal, mas é isso que sinto falta. Por isso escrevi isso.
E minha segunda linha favorita nessa música é: “please don’t go far, because wherever you are, my heaven or hell opens up because you are my only love.” Acho que isso resume a música pra mim. Basicamente diz que, se eles estiverem comigo ou não, há uma diferença enorme pra mim. Então é por isso que se chama “HEAVEN”.
A produção é grandiosa. Bateria, guitarras, tudo combinado. Começa bem suave, mas acho que é uma forma perfeita de encerrar o álbum com toda a história e diversidade que existe. Gosto muito de como essa é a última faixa do disco.