Como o possível comeback do NewJeans pode mudar toda a indústria do K-pop

Como o possível comeback do NewJeans pode mudar toda a indústria do K-pop

Por Chyenne Tatum

Já se passaram quase dois anos desde o último lançamento do NewJeans, com “Supernatural”, de 2024, inspirado no new jack swing, sendo o comeback final do girl group antes de entrar em hiato devido a conflitos legais com a empresa-mãe, HYBE. No entanto, mesmo na ausência do grupo, as marcas sonoras do NewJeans ainda podem ser encontradas no DNA do K-pop, com a mistura refrescante de pop do fim dos anos 1990/início dos anos 2000, R&B e música dance do grupo se tornando o “It-Sound” que muitos outros grupos passaram a seguir. Com relatos apontando agora para o tão aguardado comeback das garotas, parece haver potencial para mais uma mudança na indústria do K-pop, com o NewJeans liderando o caminho.

Em 26 de abril, começaram a circular especulações de que as integrantes do NewJeans, Haerin, Hyein e Hanni, teriam sido vistas em Copenhagen quase ao mesmo tempo em que surgiu online uma agenda que parecia ser de um estúdio de gravação na cidade dinamarquesa. Pouco depois, a agência do grupo, ADOR, confirmou abertamente os rumores ao afirmar que “a visita fez parte de um processo de pré-produção para registrar uma nova jornada musical do NewJeans”, acrescentando: “as integrantes estão se preparando para atividades no melhor cronograma possível para cada uma delas”. Com o som pré-existente do grupo tendo conquistado tanta atenção e aclamação da crítica em todos os aspectos, isso certamente levanta algumas questões sobre como essa “nova jornada musical” pode se desenrolar daqui para frente.

Quando o NewJeans, grupo de cinco integrantes, fez sua estreia surpresa em 2022, foi considerado um sopro de ar fresco para os consumidores de K-pop que buscavam uma nova faísca de criatividade. Enquanto a maioria dos outros lançamentos de grupos era grandiosa, chamativa e relativamente maximalista, o NewJeans suavizou tudo com uma delicada mistura de pop, R&B e house music, que se inspirava mais nos girl groups dos anos 1990 e do início dos anos 2000 no K-pop. Ao longo dos dois anos seguintes, o grupo também colocaria outros subgêneros eletrônicos em evidência, especialmente UK garage, Jersey Club e Baltimore Club — dando início, na prática, ao que se tornaria a próxima era definidora do K-pop no início dos anos 2020.

A confirmação do comeback é ao mesmo tempo empolgante e intrigante, já que o NewJeans se consolidou rapidamente como um dos principais girl groups da quarta geração do K-pop em tão pouco tempo. Com apenas três anos de carreira (antes do hiato), as integrantes se tornaram criadoras de tendências em todos os sentidos — por meio de sua paleta sonora única, estética visual marcante e coreografias chamativas que reforçavam a ênfase do grupo na girlhood e na energia juvenil.

Tecnicamente falando, o som do NewJeans não era necessariamente revolucionário — ficava claro que a ADOR e a ex-executiva produtora Min Heejin se inspiravam em eras passadas, ao mesmo tempo em que acompanhavam sons emergentes do mercado ocidental. A primeira inspiração moderna que vem à mente é a cantora e compositora britânica PinkPanthress, que ganhou popularidade no TikTok com seu uso eclético de gêneros como bedroom pop e alt-pop, drum and bass, UK garage e R&B. Seu som, por si só, ajudou a despertar uma nova onda de interesse em estilos nascidos no Reino Unido, com o NewJeans reforçando isso em músicas como “Super Shy” e “Cool With You”.

Da mesma forma, o grupo também começou a flertar com a música de club, criando faixas inteiras em torno de gêneros da house music da Costa Leste ou misturando-os com pop, hip-hop e R&B. Músicas como “ETA” e “How Sweet” exploraram esses estilos ao máximo, com a primeira construída em torno do Baltimore Club e a segunda incorporando elementos de Miami bass, electropop e do electroclash inspirado nos anos 1980. Desde então, o K-pop tem vivido uma verdadeira explosão de lançamentos de house e eletrônicos/dance, e embora essas influências já existissem na indústria antes, seria negligente ignorar a hiperfixação atual nelas nos últimos anos.

Os grupos da quinta geração, em especial, aderiram a essa tendência do que muitos chamam de “epidemia do easy listening” — músicas muito mais suaves e com um tom mais leve. Na maioria das vezes, essas faixas são construídas em torno das percussões aceleradas do drum and bass (ou liquid drum and bass), priorizando melodias delicadas e envolventes. Visualmente, isso também vem sendo associado à popular estética Y2K, que o NewJeans aproveitou intensamente com looks sonhadores e muitas vezes lúdicos, em que quanto mais, melhor. Quase como um efeito dominó, o K-pop ficou saturado desse estilo, com praticamente todo girl group passando por uma fase Y2K/drum and bass/UK garage.

Embora certas tendências e estilos tenham evoluído desde a última vez em que o NewJeans esteve ativo, o retorno do grupo à indústria musical tem grandes chances de virar o K-pop de cabeça para baixo mais uma vez. No momento, o EDM de alta energia e a house music estão dominando a cena do K-pop. O NewJeans vai intensificar seu som para tentar acompanhar ou se afastar totalmente da tendência? Francamente, a segunda opção parece o movimento mais inteligente — quando você já conquistou o título de “criador de tendências”, por que recuar para um espaço que já está tão ocupado?

Internamente, porém, muita coisa mudou no NewJeans desde a última vez em que os vimos. Com a ex-CEO da ADOR e ex-produtora executiva Min Heejin não supervisionando mais a direção criativa do grupo — nem envolvida no processo de forma alguma —, como isso afetará o comeback do NewJeans, tanto musical quanto visualmente? Além disso, o line-up geral do grupo sofreu impactos, com a ex-integrante coreano-australiana Danielle tendo seu contrato encerrado no fim de 2025 e o status da integrante mais velha, Minji, ainda incerto no futuro próximo. Ainda assim, independentemente do que aconteça entre agora e o próximo lançamento do NewJeans, a evolução pendente da visão artística do grupo sem dúvida vai abalar a indústria do K-pop de mais de uma maneira.