Por Andrea Sacal
Há dez anos, o BLACKPINK surgiu vestido como quem já sabia que se tornaria o maior girl group da história do K-pop. Quando Jennie, Jisoo, Rosé e Lisa fizeram sua estreia em agosto de 2016 com “Boombayah” e “Whistle”, a sutileza definitivamente não fazia parte do moodboard. Havia chokers, redes, microshorts, botas pesadas, saias de colegial e jeans destroyed em quantidade suficiente para manter o dashboard de um Tumblr dos anos 2010 ocupado por meses. Elas eram quatro rookies entrando em um cenário de K-pop já lotado, sem nenhuma intenção de passar despercebidas, e rapidamente chamaram atenção à primeira vista.
Coachella 2019Koury Angelo/Rolling Stone
A ascensão do BLACKPINK, de novo girl group muito aguardado da YG Entertainment a potência global da moda, é um verdadeiro manual de como sinais visuais podem incendiar uma base de fãs tanto quanto batidas feitas para dançar. Ao longo dos últimos 10 anos, o BLACKPINK ajudou a transformar a moda, de um acessório da fama no K-pop, em uma de suas ferramentas de narrativa mais poderosas.
O guarda-roupa inicial do grupo misturava streetwear, preppy, punk e feminilidade com o tipo de maximalismo que definiu a terceira geração do K-pop. Uma blusa delicada podia dividir espaço com uma bomber jacket, meias acima do joelho encontravam combat boots, enquanto xadrez colidia com metalizados e camisetas gráficas. Em vez de apresentar o BLACKPINK como quatro clones de moda perfeitamente sincronizados, o styling começou, desde o início, a construir identidades individuais. Jennie carregava um refinamento natural mesmo vestida de streetwear. Jisoo pendia para uma elegância mais tradicionalmente feminina. Rosé trazia uma leve rebeldia com influência do rock, enquanto o guarda-roupa de Lisa brincava com streetwear, silhuetas oversized e alguns dos looks mais abertamente divertidos do grupo.
A rebeldia colorida de “As If It’s Your Last” deu lugar ao glamour mais duro e afiado de “DDU-DU DDU-DU”. Em “Kill This Love”, referências militares, silhuetas exageradas e figurinos de palco repletos de cristais fizeram o BLACKPINK parecer menos como novatas do pop e mais como um exército glamouroso do K-pop. Depois vieram “How You Like That”, “Pink Venom” e a era de ‘Born Pink’ em 2022, quando seus guarda-roupas transitavam sem esforço entre alta-costura e referências ao vestir coreano tradicional.
Coachella 2019Rich Fury/Getty Images
Depois que o mundo reconheceu o BLACKPINK como o maior blueprint de moda do K-pop, as maisons de luxo vieram atrás. Em vez de associar o grupo inteiro a uma única identidade fashion, cada integrante desenvolveu uma relação individual com uma grande maison. Jennie tornou-se sinônimo de Chanel, Rosé firmou parceria com Saint Laurent, Jisoo virou a estrela de luxo da Dior, e Lisa desenvolveu uma relação importante com Celine antes de mais tarde se tornar embaixadora da Louis Vuitton.
Jennie conseguia pegar o tweed, as pérolas e as silhuetas comportadas da Chanel e fazê-los parecer elegantemente irônicos. Os looks enxutos de Rosé, a alfaiataria preta e o cool de rock star encaixavam-se naturalmente em Saint Laurent. Jisoo levava uma elegância romântica à Dior, enquanto a abordagem camaleônica de Lisa à moda permitia que ela transitasse entre produções extremamente marcantes e um glamour sofisticado. Hoje, ver idols na primeira fila de grandes desfiles, estrelando campanhas globais e gerando enorme atenção online para as marcas de luxo já é esperado. O BLACKPINK não criou a relação entre o K-pop e a moda, mas foi fundamental para provar o quão poderosa essa relação poderia se tornar, tanto comercial quanto culturalmente. As estrelas do K-pop estão agora entre os ativos globais mais visíveis do luxo, uma mudança que ultrapassou em muito o próprio BLACKPINK.
Se a ascensão fashionista provou que o BLACKPINK podia conquistar qualquer visual, o Coachella mostrou como seu estilo podia se comunicar em um dos maiores palcos da cultura pop. A apresentação de 2019 as tornou o primeiro girl group de K-pop a se apresentar no festival e, quatro anos depois, elas retornaram como o primeiro ato asiático a ser headliner sob o céu da meia-noite da Califórnia. O Coachella 2019 marcou o momento em que a moda do BLACKPINK passou a falar com um público muito além dos fandoms. Para a estreia histórica no festival, as quatro subiram ao palco Sahara com looks coordenados em preto, branco e prata, que refletiam as luzes do deserto como uma bola de discoteca — com aplicações de cristais, silhuetas cropped, microshorts, franjas e muito brilho. O conjunto de duas peças com muitas aplicações de Lisa reforçava sua veia performática; Jisoo equilibrava um look preto estruturado com mangas transparentes e detalhes ornamentais; Rosé apostava em um top cropped preto de lantejoulas e mini saia, enquanto Jennie trouxe um contraste mais claro em branco, com peças separadas e franjas. Elas eram imediatamente reconhecíveis como um grupo, mas distintas o suficiente para que cada integrante assumisse seu próprio espaço no palco. Na volta em 2023, o grupo surgiu com looks em preto e rosa inspirados no hanbok tradicional coreano, criados por OUWR e Kumdanje — uma homenagem marcante ao artesanato tradicional coreano em solo americano.
Dez anos depois, as quatro integrantes estão mais visualmente distintas do que nunca. As carreiras solo apenas aceleraram essa separação, permitindo que Jennie experimentasse mais, que Rosé refinasse seu minimalismo rock’n’ roll, que Lisa brincasse com transformações cada vez mais dramáticas e que Jisoo se inclinasse ainda mais para uma feminilidade polida. No Met Gala de 2026, as quatro compareceram, mas seus looks falavam linguagens de moda completamente diferentes, assinadas por Chanel, Saint Laurent, Dior e Robert Wun. Uma década depois de “Boombayah”, os chokers, as redes e as combat boots foram em grande parte substituídos por alta-costura, figurinos sob medida e looks de passarela — mas seus princípios fashion-first estão mais fortes do que nunca.
O BLACKPINK sempre entendeu que ser visto faz parte de ser ouvido. A moda ajudou a transformar quatro idols do K-pop em estrelas globais imediatamente reconhecíveis — e, nesse processo, expandiu o que um grupo de K-pop podia parecer e até onde sua influência visual podia chegar. A moda do BLACKPINK fala todos os idiomas. De Seul a Paris, elas provaram que estilo e música sempre caminham juntos.