Como a líder do RESCENE fez uma música de dois anos voltar às paradas
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Como a líder do RESCENE fez uma música de dois anos voltar às paradas

Por Chyenne Tatum

Quase dois anos após seu lançamento inicial, a faixa-título do girl group RESCENE, “Love Attack”, viu uma surpreendente retomada de popularidade nas últimas semanas. Apesar de ter sido lançada em 2024 junto com o primeiro EP do grupo, Scenedrome, a música reapareceu nas principais paradas musicais da Coreia, subindo ainda mais tanto no país quanto internacionalmente do que na época do lançamento.

Tudo graças à líder do RESCENE, Woni, e ao seu canal no YouTube, que faz muito sucesso, no qual ela publica conteúdos espontâneos e do dia a dia para os fãs. Com o canal tendo influenciado diretamente o renovado interesse pela música do grupo, fica cada vez mais claro que os fãs respondem melhor quando o conteúdo de um grupo diz menos respeito ao valor de produção e mais à personalidade dos idols por trás da superfície.

Em 6 de fevereiro, Woni, do RESCENE, abriu oficialmente seu canal pessoal no YouTube, chamado “Hello I am Woni Nice To Meet You”, em colaboração com a produtora coreana Solfa Studio. Em menos de quatro meses, o canal ultrapassou 392.000 inscritos, superando até mesmo o canal principal do grupo. Um dos primeiros vídeos de Woni a viralizar foi um conteúdo sobre como ser gyaru — uma subcultura de moda japonesa popular que enfatiza designs altamente estilizados — feito por Minami, integrante do RESCENE e ex-gal. Em um ambiente simples e casual, Minami compartilha segredos e dicas da estética e termina com um compilado de karaokê mostrando as duas interagindo e cantando juntas.

No conteúdo convencional de K-pop, especialmente aquele filmado e editado pelo canal principal de um grupo, o material às vezes pode soar roteirizado e performático — e, na maioria das vezes, os fãs percebem quando os idols estão lendo um cartão com falas ou simplesmente repetindo coisas que foram treinados a fazer ou dizer. Mas com conteúdos espontâneos e mais pessoais, como vlogs e conversas descontraídas que mostram a vida e as interações de um artista fora do grupo, os fãs se aproximam mais dos seus idols e sentem que foram convidados a ver um lado deles que normalmente não é exibido.

É uma das muitas razões pelas quais muitos fãs demonstraram decepção com a forma como a série Relay Dance, da M2, evoluiu ao longo dos anos. O que começou como uma forma divertida de os idols se soltarem e escaparem do padrão de perfeccionismo da coreografia do K-pop acabou se concentrando apenas na perfeição superlapidada da qual pretendia fugir. Considerando que essa é a premissa de toda a indústria do K-pop como um todo, é fácil para os fãs se entediarem e se tornarem insensíveis a isso rapidamente quando há pouca ou nenhuma variedade entre um conteúdo e outro.

Woni, porém, parece ter encontrado esse equilíbrio, e isso está ressoando com o público em uma escala maior do que o esperado, com seu canal agora acumulando mais de 766.000 inscritos. Isso normalmente não acontece, então o canal de Woni é um dos poucos casos em que o conteúdo pessoal de um idol ganha mais tração do que o do grupo — o que, no caso do RESCENE, acabou funcionando a seu favor. Para quem pode ter descoberto primeiro a jovem de 22 anos e percebido depois que ela era uma cantora de K-pop, muitos voltaram agora ao catálogo do RESCENE para descobrir que músicas os aguardam — como “Love Attack”.

O single não só subiu para a posição #28 no Top 100 do Melon e para #68 na parada diária, como também alcançou sucesso internacional, chegando ao #10 no Top 100 da Apple Music Korea e ao #11 no ranking Korea Top Songs do YouTube Music. Em uma citação publicada por The Korea Herald, o crítico musical coreano Lim Hee-yun observou que a viralização não acontece apenas por causa de uma coisa específica — geralmente é uma combinação única de fatores trabalhando em conjunto que cria impulso cultural. “Bom conteúdo sozinho não é suficiente. A música em si também precisa ser boa. Quando um meme ou momento viral de um grupo de K-pop chama atenção online, essa popularidade só se transforma em consumo musical se a própria música ressoar com os ouvintes.”

Outro grupo que parece ter decifrado a fórmula é o boy group CORTIS, que, apesar de ter estreado apenas em 2025, já se tornou um dos grandes destaques e líderes dos atos da quinta geração do K-pop. Tendo se orgulhado de sua autenticidade e da prioridade dada à autoexpressão, o CORTIS parece mais um grupo de caras apenas convivendo e fazendo música do que um grupo montado estrategicamente e treinado para se apresentar. Isso se torna um dos maiores pontos fortes do grupo quando o assunto é criar conexão com públicos do mundo todo. Sempre que você faz o público sentir que te conhece, ou que consegue se conectar com você de forma pessoal, já venceu o primeiro passo para conquistar confiança e fidelidade.

“Os fãs parecem gostar de ver lados mais crus e naturais dos grupos de idol hoje em dia”, afirmou Lim. “O charme sem filtros [do CORTIS] gerou bastante repercussão. Ao mesmo tempo, ainda é difícil para agências menores reproduzirem esses sucessos, porque criar e divulgar esse tipo de conteúdo continua exigindo recursos e apoio de marketing.”

Enquanto empresas como HYBE, SM e JYP carregam peso institucional suficiente para gerar visibilidade apenas pelo nome, agências menores como a The Muze Entertainment — que abriga o RESCENE — precisam conquistar atenção de outra forma. Essa limitação pode até funcionar a seu favor. Sem a pressão de atender às expectativas de uma grande gravadora, o foco muda para o que realmente importa: fazer música que alcance o público certo e dar aos artistas espaço para serem eles mesmos diante dele.

Para o RESCENE e muitos outros grupos da quinta geração, esse público está aparecendo e mostrando às gravadoras que a forma de chegar ao coração das pessoas não é só por meio de músicas chicletes, mas também mostrando que os idols de K-pop são mais do que rostos bonitos e ferramentas de marketing — são pessoas com personalidades, hobbies, interesses e opiniões reais. Quando um grupo consegue demonstrar isso em todas as frentes — tanto a música quanto a pessoa por trás dela —, o público tende a acompanhar.

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