Por Hasan Beyaz
Fotos por Ryan Coleman
Há algo significativo em ver um artista, quinze anos após o início da carreira, tocar em um espaço do tamanho do Dingwalls, em Londres. Não porque isso o subavalore – embora o faça, um pouco – mas pelo que representa. Para LEE MINHYUK, mais conhecido pelo nome de palco solo HUTA, este show em Camden foi um primeiro encontro. Sua primeira turnê europeia, <HOOK – WHO : KING>, o levou a Paris, Berlin, Warsaw, Madrid e London em fevereiro de 2026, fechando uma lacuna que sua base de fãs havia passado anos aceitando que talvez nunca se fechasse.
Dingwalls não é uma sala glamourosa. É compacta e essencialmente Camden — o tipo de local que combina com o terceiro show de um indie rock band, não com a estreia europeia de um veterano intérprete de K-pop. Mas a intimidade que impôs teve sua própria lógica. Quando as luzes caíram e HUTA entrou ao som de "V" e "I'm Rare", a reação da plateia fez a escala parecer merecida em vez de limitadora. Ninguém ali era um espectador ocasional. Eram fãs apaixonados que aguardaram por esse momento e não tiveram receio de demonstrar isso.
Ele chegou, notavelmente, adoentado. Disse isso no início do show — mas não dava para perceber.
Os vocais ao vivo estavam limpos e poderosos. Seus movimentos eram sempre precisos, e sua energia não diminuiu. Quando disse à plateia "I need all of your passion", soou como uma declaração de termos partilhados. Esse ia ser aquele tipo de show.
A primeira metade cumpriu essa promessa. HUTA passou por "Shadow", "Hang Out (Rock Ver.)" e "Real Game (Like Messi)" com a expertise que só anos de prática trazem. "Wet" e "BOOM" empurraram a casa para um nível mais intenso, e foi ali que o teto do local se tornou mais evidente. Sua coreografia — executada irrepreensivelmente, especialmente nas sequências de footwork — merecia linhas de visão que o Dingwalls simplesmente não podia oferecer. O movimento estava lá. A sala é que nem sempre conseguia mostrá-lo.
Antes de "BOOM", ele fez uma pausa para sentir a temperatura da plateia — e pareceu genuinamente surpreendido com o que encontrou. "Vocês têm uma energia realmente impressionante. Estou realmente maravilhado", disse. Falou de Londres com o entusiasmo de alguém que realmente se envolveu: uma visita à plataforma de Harry Potter na King's Cross, um interesse antigo em football.
Esse último detalhe teve uma ressonância inesperada. A plateia não era puramente londrina — fãs haviam viajado de toda a Europa, com a Itália entre as mais barulhentas, apesar de não haver data italiana no roteiro. Quando HUTA invocou o futebol, uma linguagem que não precisa de tradução neste continente, a sala respondeu em conformidade. A implicação não dita era difícil de ignorar: da próxima vez, o mapa deveria ser maior.
Quando perguntou à plateia em que casa de Hogwarts o colocariam, o consenso inclinou-se para Hufflepuff. Ele discordou — Slytherin, com firmeza. A plateia retrucou. Foi um momento pequeno, mas estabeleceu algo importante: ele não estava apenas se apresentando em London. Ele estava dentro dela.
A mudança de tom veio numa cover de Shawn Mendes, "Treat You Better" — um suspiro deliberado após a primeira metade pesada em pop-rap, um momento para a plateia se recalibrar antes de HUTA sair do palco para trocar. Quando voltou, abriu-se o segundo registro do show.
A partir de "Rosy", o set suavizou sem perder firmeza. "XOXO" e "Dear My Spring" puxaram um tipo diferente de atenção da plateia — menos cinética, mais concentrada. Depois vieram as escolhas de BTOB. Ele as enquadrou diretamente: eram canções que seus fãs europeus haviam esperado, e por ser sua primeira vez aqui, ele quis construir algo especial em torno delas. "Only One For Me", "Missing You" e "LOVE TODAY" se seguiram. Para uma porção significativa da plateia, aquilo foi quinze anos de distância colapsando em três músicas. Por isso esse segmento soou como o centro emocional da noite.
O set principal encerrou com "Bora", a faixa-título do seu álbum mais recente HOOK — funky, confiante e exatamente a nota certa para terminar. Ele tirou a camisa durante a música, um momento que soou como pontuação: era a faixa para a qual vinha construindo tudo, e ia se entregar a ela por completo. Se a primeira metade provou sua resistência, "Bora" provou seu instinto. Ele sabia onde colocar o ponto final.
O encore trouxe "Break Free" e "Tonight (with Melody)", esta última carregando o calor de um suspiro partilhado após a intensidade do que veio antes. Ele também mencionou que vinha fazendo um 'beep challenge' com "Bora" em todas as cidades da turnê, e London não foi diferente. Teve que incentivar a plateia um pouco — "have more confidence, don't be shy" — mas eles chegaram lá. A essa altura, HUTA refletia abertamente — o tempo passou rápido, disse ele, e queria voltar. "This is not the end. I've opened this, so there will be a next time."
Comentou também que estuda English — deliberada e consistentemente — para poder se comunicar de forma mais natural com fãs fora da Korea. Quando BTOB estava construindo a carreira, o engajamento internacional nesse nível não estava estruturalmente disponível da forma que está agora. O fato de ele estar aqui agora, estudando a língua das salas que finalmente está tocando, diz algo sobre a seriedade de suas intenções globais.
Pelo meio, houve um momento que personificou a noite melhor do que qualquer escolha de setlist poderia.
Alguém na plateia mencionou o meme do Eunkwang 'give up' — um clipe do líder e vocalista principal do BTOB que se tornou uma piada de longa duração dentro do fandom, aquele tipo de lore de nicho que vive inteiramente em um canto específico da internet. A reação de HUTA foi de surpresa genuína. Ele disse que não esperava que fãs tão distantes da Korea conhecessem algo assim. Foi uma coisa pequena. Mas falou diretamente ao que essa turnê realmente era: a distância entre um artista e um público que o acompanhou de qualquer forma, ao longo de anos e geografias, e uma infraestrutura de fandom que por muito tempo ofereceu proximidade digital sem presença física.
Depois, após o que pareceu um encerramento genuíno, HUTA voltou ao palco inesperadamente. Um segundo encore: "Higher", uma faixa do BTOB, entregue com a energia de quem ainda tinha algo a dar e quis deixar ali. E dessa vez, realmente foi o fim — por enquanto.
Lido da forma mais generosa, o Dingwalls foi um ponto de partida. A presença de palco atraente de HUTA — a resistência apesar da doença, o comando fácil da plateia — consistentemente ultrapassou o que o local podia enquadrar. Isso não é uma crítica ao show. É uma declaração sobre o próximo. A estreia ao vivo dele em London foi o ponto de referência exato que seus fãs precisavam para provar a qualidade de artista que o público europeu vinha perdendo todo esse tempo. Ele mesmo disse: this is not the end. As plateias europeias vão cobrá-lo por isso — e estarão prontas para encontrá-lo onde quer que apareça da próxima vez.




