Por Hasan Beyaz
Fotos por Ryan Coleman
EartH Hackney é um porão de clube – cantos escuros, paredes enegrecidas, o tipo de sala que parece ter sido feita para música que não pede permissão; 82MAJOR coube perfeitamente ali. O sexteto de Seul – Seongil, Yechan, Seongmo, Seongbin, Seokjoon e Dogyun – trouxe a turnê BEBEOM: BE THE TIGER para um EartH Hackney lotado na penúltima noite da passagem.
A abertura com "Heroes" foi recebida com gritos imediatos de empolgação, e logo sucedida por "Passport", uma faixa construída em torno da ambição global e da ideia de que vê‑los ao vivo vale a viagem. Em Londres, soou tanto como uma fanfarronice quanto como uma declaração de intenções.
O set mergulhou nas raízes hip‑hop do grupo, com as faixas mais escuras e agressivas dominando a noite. "Choke", "Illegal" e "TAKEOVER" deram ao público exatamente o que esperava – performances cortantes e físicas com coreografias que nunca pareceram meramente decorativas. "Choke", em particular, caiu com uma precisão fria – o grupo travado em formação, com um corte de mão sincronizado e limpo, elegante sem ostentação. O styling acompanhou: jeans desgastado, bombers de couro, jaquetas com tachas, um boné dos Dodgers. Era streetwear por proximidade sem soar forçado, o que combinava com a própria recusa da música em se vender demais. Durante "Illegal", as jaquetas saíram para revelar regatas pretas – a reação da plateia foi previsível, e totalmente justificada.
Uma grande mudança em relação ao viés hip‑hop foi "TROPHY", e foi o ápice indiscutível da noite. A faixa é um house polido e pulsante, e algo que a plateia esperava audivelmente. Sussurros de antecipação percorreram a sala antes de ela começar. O que veio a seguir justificou a espera. A coreografia do refrão – o grupo mantendo‑se rígido, posando como estátuas, girando lentamente em uníssono – atingiu com um peso unificado que deixou a plateia visivelmente atônita. É um dos momentos coreográficos mais inventivos de um grupo masculino na memória recente, e ao vivo pegou mais forte do que qualquer versão gravada online poderia transmitir. No remix de Yechan, ele assumiu os decks ele mesmo – um movimento raro, e que explorou ao máximo tudo o que a atmosfera de porão do EartH Hackney vinha construindo.
Houve percalços técnicos pelo caminho. Microfones cortaram intermitentemente e os níveis vocais caíram em alguns trechos, mas os momentos confirmaram o que já era óbvio: esses seis são vocais fortes, e estavam cantando ao vivo. A fisicalidade da apresentação também cobrou seu preço, da melhor forma. Em um momento, o grupo fez uma pausa e pediu à plateia um respiro. "Give me 20 seconds, please." A sala atendeu, rindo.
Os momentos de MC foram igualmente interessantes – um grupo realmente vivenciando Londres pela primeira vez. Entre si, o grupo disse à plateia que Londres só existia para eles através de uma tela de TV – futebol da Premier League, visto da Coreia do Sul.
O membro canadense Yechan recebeu algumas das reações mais altas da noite, seu nome sendo chamado repetidamente da plateia. Ele nos contou que chegaram de trem naquele dia, e que gostou de apreciar as vistas – o que levou, naturalmente, a um debate sobre o café da manhã inglês. Feijão enlatado, especificamente. A plateia foi à loucura, frase que só poderia ser escrita sobre um show em Londres.
Mais tarde, Seongil revelou que era seu aniversário, e a plateia encarregou‑se de organizar as comemorações. O consenso: Wetherspoons. Ele pareceu levar a sugestão a sério. Quando o grupo perguntou se alguém sabia o fanchant de Seongil – alegando que o teriam postado no Instagram – seguiu‑se um silêncio carregado. "You guys don't know… Liar! Liar!" A sala explodiu. O fanchant foi feito de qualquer maneira. Era o tipo de zoeira que não se ensaia, e ninguém queria que acabasse.





