DO JAPÃO A LOS ANGELES: DENTRO DA BUSCA DA HYBE × GEFFEN POR ‘THE FINAL PIECE’
Por Hasan Beyaz
Em 24 de fevereiro de 2026, WORLD SCOUT: THE FINAL PIECE estreia na plataforma de streaming japonesa ABEMA às 20h JST. O programa tem um objetivo único: selecionar a última integrante de um novo girl group global de quatro membros produzido pela HYBE e pela Geffen Records, com estreia nos EUA prevista para o fim de 2026.
Três integrantes – Emily Kelavos, Samara Siquiera e Lexie Levin – foram oficialmente reveladas pela HYBE e pela Geffen Records entre 25 e 27 de agosto de 2025, como a formação base do próximo girl group global. Em 31 de agosto, as empresas confirmaram que a quarta e última integrante seria escolhida através de um programa de audições televisionado.
WORLD SCOUT: THE FINAL PIECE é esse programa. Ele não monta um grupo do zero; serve para completar uma formação já anunciada.
Duas Fases, Um Mesmo Desenho
A estrutura começou antes da série televisiva.
Um chamado inicial de seleção intitulado The Next Global Girl Group – Casting Call no Japão foi realizado de 17 de junho a 17 de julho de 2025. Essa fase mirou candidatas de 15 a 20 anos e aceitou inscrições nas áreas vocal, rap, dança, composição e produção.
A segunda fase – o programa televisionado WORLD SCOUT – ampliou a elegibilidade para idades de 15 a 24 anos, com inscrições de 6 de agosto a 22 de setembro de 2025. Os requisitos ficaram mais definidos: experiência em canto ou dança, consentimento total com exposição na mídia, disponibilidade para treinamento e filmagens de outubro a dezembro de 2025 e disposição para se mudar para Los Angeles. Um acampamento de treinamento nos EUA estava programado para meados de novembro até o final de dezembro.
Notavelmente, a elegibilidade em ambas as fases incluiu explicitamente mulheres (She/Her) e candidatas não-binárias (They/Them), marcando uma ruptura com uma linguagem de audições de idols mais tradicionalmente restrita por gênero.
O que começou como uma busca criativa ampla se transformou num caminho de desenvolvimento controlado, alinhado a um plano público de estreia nos EUA em 2026.
O Japão como Ponto de Entrada, Los Angeles como Destino
A linguagem promocional oficial enquadra o projeto como “Do Japão para o mundo”. A captação, no entanto, insere-se dentro de uma cadeia operacional maior.
Novos talentos são encontrados no Japão. O treinamento inclui um acampamento nos EUA. As candidatas precisavam estar dispostas e aptas a se mudar para Los Angeles. A estreia mira o mercado americano.
O sistema de desenvolvimento da HYBE origina-se na Coreia do Sul, enquanto a Geffen Records opera sob a Universal Music Group nos Estados Unidos. A narrativa transmitida é japonesa – por meio do acordo exclusivo de streaming da ABEMA.
Este não é um projeto de mercado único. É transnacional por design – e a própria geografia delineia a ambição.
Não é um Survival Show, mas um Mecanismo de Conclusão
Apesar do formato televisionado, WORLD SCOUT: THE FINAL PIECE difere dos tradicionais programas de survival completos por um detalhe-chave: a formação já está, em grande parte, definida. Três membros estão fixos. Só resta uma vaga.
Ainda não foram detalhados se o programa adotará eliminações ou votação do público. O que está claro é que o resultado não vai determinar um grupo inteiro do zero, mas completar uma formação já anunciada.
Essa distinção altera as apostas. A questão não é quem forma um grupo junto, mas quem se une a um que já existe.
O Elenco do Estúdio e o Sinal para o Ecossistema
A formação do estúdio posiciona ainda mais o projeto dentro de um ecossistema maior.
O elenco confirmado do estúdio inclui Rino Sashihara, Sakura e Kazuha do LE SSERAFIM, Iroha e Moka do ILLIT, e a personalidade televisiva Hiccorohee.
Sashihara situa o projeto dentro da linhagem dos idols do Japão. Ex-membro do AKB48 e depois do HKT48, ela se tornou uma das figuras comercialmente mais reconhecíveis a emergir do sistema dos grupos 48 antes de migrar para produção, lançando e supervisionando grupos como =LOVE, ≠ME e ≒JOY.
Hiccorohee, conhecida por sua presença afiada e observadora nos programas de variedade japoneses, amplia o tom. Sua inclusão posiciona o show não puramente como um formato de avaliação da indústria, mas como entretenimento mainstream voltado para o público doméstico.
Se Sashihara traz credibilidade da indústria idol, Hiccorohee traz familiaridade com a transmissão. Juntas, elas equilibram expertise com acessibilidade.
Internamente, a inclusão de artistas ativos da HYBE reforça a continuidade. LE SSERAFIM e ILLIT representam diferentes fases da expansão de girl groups da HYBE, e posicionar suas integrantes como mentoras ou supervisoras consolida sutilmente a autoridade da gravadora através das gerações.
Externamente, sinaliza confiança. A HYBE está confortável em colocar seus atos atuais dentro da maquinaria narrativa de seu próximo lançamento global.
A escolha do casting não é incidental. Ela incorpora o novo projeto dentro de uma arquitetura de marca existente em vez de apresentá-lo como um experimento isolado.
O Padrão Mais Amplo
WORLD SCOUT não surge de forma isolada. Segue The Debut: Dream Academy; dá continuidade à parceria da HYBE com a Geffen Records; e estende uma ambição declarada de globalizar aquilo que a empresa descreveu como sua “metodologia” de desenvolvimento.
Os elementos recorrentes são consistentes: avaliação estruturada de trainees, colaboração transfronteiriça, arcos narrativos empacotados para a mídia e uma estrutura de grupo pré-definida que precede a transmissão.
O que muda aqui é o grau de controlo. O grupo está em sua maior parte formado antes do início do programa. O percurso geográfico está claramente planeado com antecedência. O mercado de estreia é declarado publicamente.
A ênfase parece menos em testar a viabilidade e mais em executar um plano definido.
Tensão Estrutural: Padronização vs Expansão
A questão crítica não é se a HYBE pode construir um girl group global – a empresa já demonstrou que pode mobilizar infraestrutura entre continentes. A questão mais complexa é a escala.
À medida que a HYBE expande seu portfólio de girl groups – pela Coreia, Japão e Estados Unidos – o modelo torna-se cada vez mais padronizado. Seleção estruturada. Narrativas dirigidas pela mídia. Centros internacionais de treinamento. Adições de membros com precisão.
A padronização traz eficiência, mas também corre o risco de uniformidade. Se todo lançamento global seguir um padrão arquitetônico semelhante, a diferenciação será o próximo desafio. O sistema é estruturado para priorizar o treinamento de desempenho e a coesão. Se poderá preservar identidades distintas ao mesmo tempo é o teste a longo prazo.
WORLD SCOUT: THE FINAL PIECE funciona, portanto, como mais do que uma busca por talento. É uma etapa observável no refinamento de um modelo de produção global.
Movimento de Encerramento
Quando o programa estrear em 24 de fevereiro, os espectadores assistirão a uma busca se desenrolar. Mas grande parte da estrutura já estará no lugar. Os acampamentos de treinamento estão agendados. Os termos de relocação estão definidos. O ano de estreia está fechado.
Resta anunciar apenas uma integrante. O enquadramento mais amplo já está estabelecido.





